quinta-feira, 11 de abril de 2013

DÍZIMO, FATOR DE CONFLITOS NAS IGREJAS - PARTE 06


ABRAÃO

Abraão, o pai da fé, foi um homem extraordinário, deixou-nos um legado valioso de fé e obediência a Deus, mas não foi ele o homem através de quem o Espirito Santo deu as doutrinas à Igreja. Alguns defensores do dizimo, confrontam-me dizendo que o dizimo é da graça, argumentando que Abraão viveu antes da lei e foi dizimista.
Embora tenha Abraão vivido antes da lei, mesmo assim nada tem a ver com a Nova Aliança que Cristo veio trazer. É muito fácil perceber isso. Se a minha vida cristã tiver como exemplo Abraão, então, deveria me circuncidar, oferecer sacrifícios sobre altar, poderia ter concubinas, pois Abraão só no que diz respeito ao dizimo? Abraão não pode ter vivido em um tempo de graça como o nosso, por isso ele não está com a palavra para a Igreja.

MOISÉS

Moisés foi o instrumento que o Senhor usou para libertar Israel do Egito. Foi um grande líder que o mundo Antigo conheceu. Todavia, Moisés nada tem com a Nova Aliança, mas tudo a ver com a Antiga.

MALAQUIAS

Embora seja considerado profeta menor, é o mais amado e citado pelos defensores do dizimo.
Malaquias foi, sem dúvida, um homem de Deus. A exemplo de Abraão e Moisés viveu em um tempo totalmente diferente do nosso. Ele defendia toda lei de Moisés, e não só o dizimo como querem os defensores desta doutrina. Usam os escritos do profeta somente no que diz respeito ao dizimo, mas calam-se quando ele fala dos holocaustos, dos sacrifícios e de toda a lei de Moisés. Malaquias, a bem da verdade, não defendia o dizimo, mas a lei de Moisés. Basta ler os seus escritos.
Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe mandei em horebe para todo o Israel, e que são os estatutos e Juízos (Mal. 4:4).
Pelo texto acima, podemos entender que Malaquias falava a Israel da Antiga Aliança, nada tem conosco que somos de Cristo. Por esta razão, nenhum cristão consciente andará segundo os escritos de Malaquias.

APÓSTOLO

Estes sim foram os instrumentos de Deus para a implantação e fortalecimento da Igreja. Com a morte de Cristo nasceu a Igreja, e sobre a orientação do Espírito Santo e instrumentalidade dos apóstolos, recebeu as doutrinas que haveriam de nortear sua vida.
Enquanto exerceu o seu ministério, Jesus escolheu os apóstolos. Ensinou-os por três anos. Derramou sobre eles o Espírito Santo e os capacitou para o grande ministério que teriam. Lucas fala desse relacionamento entre Jesus e os apóstolos, com respeito à Igreja.
Até o dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado MANDAMENTOS, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera (Atos 1:2).
Jesus passou todas as instruções aos apóstolos, porque seriam eles as colunas da nova ordem inaugurada na cruz. É por isso que quando a Bíblia fala sobre a Igreja, diz que esta permanecia na doutrina dos apóstolos.
E perseveravam na DOUTRINA DOS APÓSTOLOS, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações (Atos 2:24).
A Bíblia não diz doutrina de Abrão, ou de Moisés, ou de Malaquias e nem mesmo de Jesus, mas dos Apóstolos.
É claro quer as doutrinas vieram de Cristo, mas por instrumentalidade dos apóstolos. Por isso diz: “Doutrina dos Apóstolos”.
É o mesmo que a lei. Sabemos que veio de Deus, mas como foi dada através de Moisés, e chamada de lei de Moisés. (Mal, 4:4). Nossa segurança como cristão que fomos libertados da Lei, é a certeza de que o fundamento da nossa fé é a doutrina dos apóstolos.
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina (Ef. 2:20)
A Bíblia chega a citar alguns nomes de apóstolos, referindo-se a eles como sustentáculos da Igreja. E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as COLUNAS,... (Gal. 2:9). Toda doutrina que Jesus deu à Igreja, deu-a através dos apóstolos, porque quando ele viveu aqui na terra a Igreja ainda não existia.
Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos. (II Pe. 3:2)
Quando a Igreja, recém-nascida, foi confrontada com a Lei de Moisés, os apóstolos se reuniram em Jerusalém, e foram eles que deram o seu parecer.
Na verdade pareceu bem ao espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, se não estas coisas necessárias (Ato 15:28).
Por todos esses versículos e por muitos outros textos do Novo Testamento, tive que responder que o Senhor deu sua doutrina à Igreja por intermédio dos apóstolos.
Você que é dizimista fiel, responda-me com um texto bíblico, se puder; onde foi que os apóstolos ensinaram aos crentes guardar o sábado ou dizimar?
Alguns teólogos contestam-me, dizendo que a Igreja já sabia desta doutrina, por isso os apóstolos não a ensinaram.
Em que pesem o respeito e estima que tenho pelos pastores e teólogos, não posso concordar com essa afirmação. Primeiro: Porque os escritos dos apóstolos, muitos deles foram dirigidos às Igrejas Gentílicas que nada tinham com o Judaísmo. Segundo: Se a Igreja de Jerusalém conhecia o dizimo, conhecia-o como pertencente aos Levitas e não aos Apóstolos.
Naquele momento de crise espiritual, pelo qual passei por causa do dizimo, muita coisa aprendi. Lembro-me de ter perguntado ao Senhor se eu não deveria guardar nada da Antiga Aliança. A resposta foi muito simples. Os apóstolos funcionam, como um filtro entre Antigo e Novo Testamento. Tudo que passou do Antigo para o Novo Testamento, pelo filtro, isto é, pelos apóstolos, devemos observar como sendo a vontade de Deus para a sua Igreja; as demais coisas respeitamos como uma luz que brilhou na história, mas que ofuscada por outra com maior intensidade. Essa luz maior é a Nova Aliança no sangue do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
A Nova Aliança, que tem como principio maior nos liberta da Antiga.
Estais, pois firme na LIBERDADE com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão ( Gal. 5:1)
Essa revelação de que os apóstolos servem como filtro entre Antigo e Novo Testamento, foi-me muito útil.

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